Belo Monte causa angústia por
pequenos motivos. O ego intelecto-jornalístico-universitário-global, no qual o
que vale mais é ser opinante ou reprodutor de uma opinião, só pra se ter
opinião, pra que ela tenha valor futuro no currículo ou mostrar que você é
antenado e defende um lado da disputa. Outro
motivo é a repentina crença da população nos governantes e políticos do país,
os mesmos que trazem uma copa corrupta pra cá. Isso causa uma estranheza quase
senil, pois até onde sei, 99,9% da
população tem certeza que seus políticos são corruptos e agora simplesmente aceitam
que uma obra dessa magnitude seja construída e que ela, diferentemente dos
estádios, não tem seus "Ricardos Teixeiras" como títeres. A última é
a frase da bandeira nacional.
O fundamento que tanto nos engana
é baseado nisso pelo que denominam como PROGRESSO. Escrito na bandeira ao lado de ORDEM.
Ordem sabemos que não temos, aliás, somos sinônimo de desordem. E o progresso é
subjugado, interpretado como expansão de áreas com cimento. Progresso só tem a
ver com engenharia ou com crescimento da economia. Nosso progresso é rude, tão
merdioso que me obriga a dizer, não queria, mas sou obrigado: O Brasil é um
país de cordeiros cujo encéfalo é dominado pela arrogância!
Progresso é desenvolvimento? Sim!
Desenvolvimento é o quê? Vamos discutir desenvolvimento. Sobre que ótica? Gandhi ou Bush? Cacique ou
General? Para não irmos muito longe nessa viagem, tomemos um ponto em comum: "somos
um país em desenvolvimento" (é o que dizem nas europa, lá onde a crise tá bem
desenvolvida e a economia genial dos povos maravilhosos e exemplares mostra o
futuro dos desenvolvidos: o desespero). Se estamos "em
desenvolvimento", somos um país "em progresso"? Em progresso de
quê? Não vejo mais progresso nisso do que num menino em uma escola aprendendo a
plantar cebolas!
E se deixarmos essa nomenclatura
imbecil de lado e aceitarmos que a região amazônica é sub-desenvolvida. Sim é!
Sério! É bem sub-desenvolvida mesmo, não é mentira minha, aqui tem gente que
pega toxoplasmose e leishmaniose. A desigualdade é gritante, nas capitais os
profissionais mais abundantes são os flanelinhas e suas flanelas imundas. Salário
mínimo é coisa de rico! Nem precisa de IBGE! A Amazônia só está no país chamado
Brasil porque nasceu nele, caso contrário queria estar num lugar muito melhor,
cuidado por uma mãe, não por uma tutora!
Convencidos disso (ou não),
voltemos a nomenclatura e vamos adaptá-la. Se a Amazônia está em sub-desenvolvimento,
seu sinônimo se altera para sub-progresso?
Nenhum dos que enche a paciência
sobre a construção ou não da usina se manifestou até agora sobre a divisão do
estado onde essa usina será construída, nem foi pesquisar. Pará? Tapajós?
Carajás? Isso pouco importa, pois vocês já têm os seus corruptos aí. Antes de
alterar a vida dos índios, ribeirinhos e das comunidades, gerando o embrião
final para a eliminação da floresta amazônica, enviem também ipads e iphones
para trocar por ouro com o povo que vive de cocar e peladão, como fizeram o
pessoal das caravelas com seus espelhos e coqueluches inúteis! Pouco importa a
morte da cultura, ela não vale nada afinal, aliás, vale até o ponto que tenho
energia pra ver minha tevê!
Pra mim já é fato consumado,
lutar contra é somente o último suspiro do desespero, mas não lutar também é
falta de respeito. Façam bom proveito do progresso, seus babacas! Aproveitem a
energia para criação de um mercado de capitais, uma bolsa forte, com uma
especulação de primeira em Belém ou Manaus... Vamos trocar madeira por muito
dinheiro e derreter no sol do deserto de concreto.
Em 2014 teremos uma copa, aí sim
o desespero e o engajamento do povo compatriota de deus terá pelo que rezar,
seremos hexa, poderemos atazanar os argentinos e apagar a vergonha que o Felipe
Melo nos fez passar! É com muita
tristeza que escrevo (também foda-se minha tristeza), o Brasil é dominado por
demônios, dirigido por ratos e alimentado por idiotas!