terça-feira, 29 de novembro de 2011
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
O país da comédia
O país da comédia
De tanta revolução fútil, o Brasil acabou se tornando refém
da própria aberração. Por mais risível que pareça, nosso país é o centro
mundial da nova era, já li e escutei milhões de vezes que somos o país do
futuro, a moda social internacional, com cabelo de Neymar e tudo. Pois bem, é
claro que sempre devemos valorizar nossa capacidade divina, visto que somos
compatriotas de deus. Da mesma forma podemos também jogar no lixo nossas
bandeiras de Che Guevara, Zapata, e tantos outros. Afinal aqui é que se faz a
revolução, no país que se considera mais importante a revolta de pessoas
matriculadas em cursos da USP, pelo direito de utilizar as substâncias que bem entenderem
no campus que freqüentam (são estudantes ou são pessoas matriculadas?) do que a
de professores subjudagos, presos por uma ditadura mascarada pela polícia numa
universidade amazônica, na floresta, no mato, em Rondônia? Isso não é parte do
país né? É parte da piada! Pois saibam, que se a Amazônia não fosse aqui, o
resto do mundo ia estar se lixando pra essa revolução!
Mas é aqui, bem aqui,
é que se faz a revolução. É aqui, na parte que realmente existe do país, na fonte
inesgotável de água. Pois a lei, nisso que chamamos de país, só se aplica onde a
constituição existe. Na Amazônia a lei que impera é outra, o país é outro, a
constituição não constitui nada. O sul e o sudeste, principalmente o sudeste, mais
ainda os RiodeJaneiristas e SãoPaulistas devem sair de seus casulos da
arrogância e saber o quão insignificantes são perante a liberdade de faroeste viva
que vive mais para o lado do equador. O Brasil é aqui, aí é concreto, piada
racista, xenofobia e desgraça ao vivo. Aqui, é mato e concreto, raças perdidas,
xenofobia inversa e desgraça ao morto. Postem no twitter ou curtam no facebook,
a Amazônia será sempre o lugar mais selvagem e, por conseqüência, mais
intrigante que se tem notícia.
Com o surgimento de novas plataformas da informação surgiram
milhões de revolucionários. O Brasil agora é pura revolução on-line. Virou o
país da revolução stand'up. Tudo que é sério deve ser sério, mas com piadinha,
vamos ser Rafinha Leifert. Vamos rir e nos ludibriar com o fato da nossa
desgraça realmente ser engraçada. Sempre foi assim, mas agora está tudo a mão,
aqui, afinal, acabei de retuitar uma piada muito bacana sobre uma verba
desviada da merenda das crianças, sou ou não sou um mártir?
Primeiro foi com a novidade do orkut, formou-se uma
imensidão de indignados, com seus dedos afiados, teclados engatilhados e
comunidades engajadas, prontos pra destruir os 500 e tantos anos de absurdos.
Com a mazela do orkut, que já não era mais tão descolado, nos deram outras
armas, que surgiram como irmãs gêmeas, twitter e facebook, primos de Iphones e
Ipads. Pronto, tudo resolvido, agora temos como reclamar de todos os ladrões
que elegemos. Agora os corruptos vão parar de roubar porque a reclamação, a
indignação e a revolta estão nos
trendtopics ou foram curtidas milhões de
vezes.
Se você é brasileiro e não gosta de ser chamado de cusão,
faça por merecer e deixe de se esconder de trás do teu tecladinho de celular. Ainda não inventaram Iphones para ovelhas e
cordeiros, mas assim que o fizerem, logo logo, teremos mais twittes de
bezerros que dos bundões que vivem neste país! Muuuuu...
Esse país é uma comédia, é a graça da feiura do bangela, é o
riso da criança barriguda na mazela. Que gargalhada o moderno na canoa ou a
twitada direto da floresta. É uma piada eterna do voto por migalha e da força
que a bala tem nas milhares de favelas. Que graça, ver o mundo pelas grades que
falseiam a janela ou por um ator que nos diverte na novela. Como rio com a
edição do CQC ou quando vejo a bunda de tão biscate donzela. Diversões mil ao
saber que de nada vale uma frase sem piada, da desgraça de irmãos no(a) globo, em
fogo cruzado na nossa mais colorida tela. Ai ai ai, hehehe, esse país é uma
comédia! :)
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