quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O país da comédia


O país da comédia


            De tanta revolução fútil, o Brasil acabou se tornando refém da própria aberração. Por mais risível que pareça, nosso país é o centro mundial da nova era, já li e escutei milhões de vezes que somos o país do futuro, a moda social internacional, com cabelo de Neymar e tudo. Pois bem, é claro que sempre devemos valorizar nossa capacidade divina, visto que somos compatriotas de deus. Da mesma forma podemos também jogar no lixo nossas bandeiras de Che Guevara, Zapata, e tantos outros. Afinal aqui é que se faz a revolução, no país que se considera mais importante a revolta de pessoas matriculadas em cursos da USP, pelo direito de utilizar as substâncias que bem entenderem no campus que freqüentam (são estudantes ou são pessoas matriculadas?) do que a de professores subjudagos, presos por uma ditadura mascarada pela polícia numa universidade amazônica, na floresta, no mato, em Rondônia? Isso não é parte do país né? É parte da piada! Pois saibam, que se a Amazônia não fosse aqui, o resto do mundo ia estar se lixando pra essa revolução!

      Mas é aqui, bem aqui, é que se faz a revolução. É aqui, na parte que realmente existe do país, na fonte inesgotável de água. Pois a lei, nisso que chamamos de país, só se aplica onde a constituição existe. Na Amazônia a lei que impera é outra, o país é outro, a constituição não constitui nada. O sul e o sudeste, principalmente o sudeste, mais ainda os RiodeJaneiristas e SãoPaulistas devem sair de seus casulos da arrogância e saber o quão insignificantes são perante a liberdade de faroeste viva que vive mais para o lado do equador. O Brasil é aqui, aí é concreto, piada racista, xenofobia e desgraça ao vivo. Aqui, é mato e concreto, raças perdidas, xenofobia inversa e desgraça ao morto. Postem no twitter ou curtam no facebook, a Amazônia será sempre o lugar mais selvagem e, por conseqüência, mais intrigante que se tem notícia.

      Com o surgimento de novas plataformas da informação surgiram milhões de revolucionários. O Brasil agora é pura revolução on-line. Virou o país da revolução stand'up. Tudo que é sério deve ser sério, mas com piadinha, vamos ser Rafinha Leifert. Vamos rir e nos ludibriar com o fato da nossa desgraça realmente ser engraçada. Sempre foi assim, mas agora está tudo a mão, aqui, afinal, acabei de retuitar uma piada muito bacana sobre uma verba desviada da merenda das crianças, sou ou não sou um mártir?

     Primeiro foi com a novidade do orkut, formou-se uma imensidão de indignados, com seus dedos afiados, teclados engatilhados e comunidades engajadas, prontos pra destruir os 500 e tantos anos de absurdos. Com a mazela do orkut, que já não era mais tão descolado, nos deram outras armas, que surgiram como irmãs gêmeas, twitter e facebook, primos de Iphones e Ipads. Pronto, tudo resolvido, agora temos como reclamar de todos os ladrões que elegemos. Agora os corruptos vão parar de roubar porque a reclamação, a indignação e a revolta  estão nos trendtopics ou foram  curtidas milhões de vezes.
    Se você é brasileiro e não gosta de ser chamado de cusão, faça por merecer e deixe de se esconder de trás do teu tecladinho de celular.  Ainda não inventaram Iphones para ovelhas e cordeiros, mas assim que o fizerem, logo logo, teremos mais twittes de bezerros que dos bundões que vivem neste país! Muuuuu...

     Esse país é uma comédia, é a graça da feiura do bangela, é o riso da criança barriguda na mazela. Que gargalhada o moderno na canoa ou a twitada direto da floresta. É uma piada eterna do voto por migalha e da força que a bala tem nas milhares de favelas. Que graça, ver o mundo pelas grades que falseiam a janela ou por um ator que nos diverte na novela. Como rio com a edição do CQC ou quando vejo a bunda de tão biscate donzela. Diversões mil ao saber que de nada vale uma frase sem piada, da desgraça de irmãos no(a) globo, em fogo cruzado na nossa mais colorida tela. Ai ai ai, hehehe, esse país é uma comédia! :)

3 comentários:

  1. Acho que isso pode ter um pouco de paranóia, teoria de conspiração, mas vamos analisar rapidamente e situação da UNIR: policiais federais disfarçados de estudantes, tomaram a câmera de um professor antes de se identificarem, detiveram outro professor sob uma acusação sem pé nem cabeça; figurões desceram de um carro importado não identificado, de armas em punho e prenderam um professor sob diversas acusações que somadas resultariam em até 4 anos de prisão; o juíz concedeu liberdade provisória ao professor, junto com uma lista de restrições, dentre as quais a proibição de ir ao campus da UNIR enquanto a greve estiver acontecendo. Agora vamos juntar isso tudo com a principal reivindicação dos alunos e professores: o desligamento imediato de um reitor envolvido em mega-esquemas de desvio de verba destinada a bolsas e projetos. Muitos desses projetos, de extensão acadêmica ou pesquisa, foram desativados por conta da falta de verba. Considerando que muita gente grande, pica grossa pode estar envolvida nesse esquema, não me surpreendo de não ter visto nenhuma reportagem na TV, eles estavam mais preocupados com uns baseadinhos do sudeste. Aproveitando, a Rede Record conseguiu fazer todo mundo acreditar que foram os estudantes que vandalizaram a USP... sinistro!

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  2. Com um dossiê de mais de 1500 páginas sendo analisado pelo o MEC, relatando e comprovando as inúmeras fraudes e denúncias na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), a mídia nacional nos bombardeia diariamente com informações sobre a greve na USP, que se procede por causas mínimas, quando comparada aos motivos dos grevistas em Rondônia. A principal reinvindicação do movimento é a renúncia do Reitor Januário do Amaral, que tem como principal aliado e defensor, o senador Valdir Raupp, presidente nacional do PMDB.
    Natalia Lima

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  3. http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=SZjaJ2AOvvM

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